Artigo Científico

Tratamento da Esporotricose Felina Refratária por Sporothrix brasiliensis

Por Equipe VetRank • Publicado em 31/05/2026
Estudo aprofundado dos protocolos de tratamento para esporotricose felina causada por Sporothrix brasiliensis, focando em terapias combinadas e monitoramento clínico.

Introdução à Esporotricose por Sporothrix brasiliensis

O avanço epidemiológico do Sporothrix brasiliensis no Brasil consolidou a esporotricose felina como uma das principais micoses subcutâneas de caráter zoonótico na clínica médica (Gremiao et al., 2017). Os felinos atuam como importantes reservatórios fúngicos devido à elevada carga parasitária em suas lesões cutâneas e garras, o que torna o diagnóstico e a intervenção terapêutica precoce cruciais para a contenção da transmissão (Orofino-Costa et al., 2017).

Terapias de Primeira Linha e Limitações

O Itraconazol administrado por via oral na dose de 10 mg/kg a cada 24 horas (SID) permanece como a terapia de primeira escolha. Contudo, a rotina clínica veterinária enfrenta taxas crescentes de refratariedade ligadas ao perfil de virulência do S. brasiliensis e ao abandono do tratamento decorrente de efeitos adversos hepatotóxicos ou dificuldades de administração a longo prazo por parte dos tutores (Gremiao et al., 2017).

Protocolo Combinado (Itraconazol + Terbinafina / Iodeto de Potássio)

Em crises ou casos refratários ou que apresentam comprometimento respiratório severo, a terapia combinada é indicada para sinergismo farmacológico. A associação de Itraconazol com a Terbinafina (15 mg/kg SID) tem demonstrado sucesso na redução do tempo de cicatrização das lesões. O uso de Iodeto de Potássio (KI) atua como excelente alternativa terapêutica adjuvante, embora requeira cautela e monitoramento devido ao risco de iodismo nos felinos. Avaliações laboratoriais de enzimas hepáticas (ALT e FA) devem ser conduzidas a cada 30 dias durante todo o protocolo.

Pegadinhas Comuns em Provas (ENARE / Residências)

  • Agente de Transmissão: O gato doméstico é o principal vetor biológico da infecção zoonótica; o cão raramente atua na cadeia epidemiológica direta por possuir baixa celularidade fúngica nas lesões.
  • Tempo de Tratamento: O tratamento medicamentoso não deve ser suspenso logo após a cicatrização visível. O consenso clínico determina a manutenção do antifúngico por, no mínimo, 30 a 60 dias após a cura clínica completa.
  • Diagnóstico de Confirmação: A citologia (visualização de leveduras pleomórficas em formato de charuto) é altamente útil na triagem, mas o isolamento fúngico por cultivo micológico continua sendo o padrão-ouro.

Tabela Comparativa de Terapêuticas Antifúngicas

FármacoDose RecomendadaVia de AdministraçãoMonitoramento Exigido
Itraconazol10 mg/kg SIDOral (PO)Função Hepática (ALT, FA)
Terbinafina15 mg/kg SIDOral (PO)Função Hepática e sintomas gastrointestinais
Iodeto de Potássio (KI)5-10 mg/kg SIDOral (PO)Sintomas de iodismo (anorexia, vômito, sialorreia)

Referências Bibliográficas

Gremião, I. D. F., Miranda, L. H. M., Reis, E. G., Rodrigues, A. M., Pereira, S. A., Schubach, T. M. P., & de Oliveira, R. V. C. (2021). Guideline for the management of feline sporotrichosis caused by Sporothrix brasiliensis and literature revision. Brazilian Journal of Microbiology, 52(1), 107-124. https://doi.org/10.1007/s42770-020-00365-3 (PMID: 33025287)

Orofino-Costa, R., Macedo, P. M., Rodrigues, A. M., & Bernardes-Engemann, A. R. (2017). Sporotrichosis: an update on epidemiology, clinical manifestations, diagnosis and treatment. Anais Brasileiros de Dermatologia, 92(5), 606-621. https://doi.org/10.1590/abd1806-4841.2017279 (PMID: 29015890)