Artigo Científico

Fisiopatologia e Manejo da Síndrome Obstrutiva das Vias Aéreas dos Braquicefálicos (SDOB) em Cães

Por Equipe VetRank • Publicado em 31/05/2026
Discussão científica da fisiopatologia respiratória das raças caninas braquicefálicas e as abordagens cirúrgicas precoces para o manejo da SDOB.

Fisiopatologia da Síndrome Obstrutiva (SDOB / BOAS)

A Síndrome Obstrutiva das Vias Aéreas dos Braquicefálicos (SDOB), também conhecida internacionalmente como BOAS, é consequência direta da seleção artificial de conformações craniomaxilares curtas em raças como Pugs e Buldogues (Packer et al., 2015). A compressão das estruturas anatômicas gera alta resistência ao fluxo inspiratório de ar, exigindo um grande esforço muscular que resulta em pressões intraluminais negativas extremas ao longo do trato respiratório (Dupré et al., 2016).

Alterações Anatômicas Primárias e Secundárias

As alterações primárias de caráter congênito incluem a estenose de narinas, o prolongamento do palato mole e a hipertrofia de cornetos nasais. A exposição contínua do tecido à pressão inspiratória negativa crônica gera as alterações secundárias, representadas pela eversão dos sáculos laríngeos, pelo colapso laríngeo progressivo e pelo edema da mucosa faríngea (Dupré et al., 2016).

Intervenções Cirúrgicas Corretivas Precoces

O tratamento preconizado fundamenta-se na desobstrução cirúrgica o mais precoce possível (idealmente antes de um ano de idade). Os procedimentos de eleição incluem a rinoplastia (ressecção de cunha da cartilagem alar) e a estafilectomia (ressecção parcial do palato mole excedente). A realização cirúrgica precoce evita o avanço para colapso laríngeo avançado (graus II e III), cujo prognóstico é reservado.

Pegadinhas Comuns em Provas (ENADE / Residência)

  • Hipoplasia Traqueal: Trata-se de uma alteração congênita traqueal comum na raça Buldogue Inglês, não corrigível cirurgicamente, que reduz o diâmetro traqueal e piora o prognóstico do paciente braquicefálico.
  • Edema Pós-Operatório: A complicação imediata mais comum e perigosa pós-estafilectomia é o edema de glote obstrutivo, requerendo monitoramento constante nas primeiras horas e uso preventivo de corticosteroides.
  • Estagiamento do Colapso Laríngeo: Caracteriza-se pelo desvio medial progressivo das cartilagens aritenoides. O Grau III (colapso completo) indica perda total da rima glótica e costuma exigir traqueostomia permanente.

Estagiamento do Colapso Laríngeo e Condutas

Grau de ColapsoCaracterísticas ClínicasConduta Recomendada
Grau IEversão apenas dos sáculos laríngeosRinoplastia + Estafilectomia + Ressecção de sáculos
Grau IIDesvio medial dos processos cuneiformes da laringeAmpliação de vias superiores e suporte anti-inflamatório
Grau IIIColapso completo da rima glótica (perda de sustentação)Traqueostomia permanente ou laringoplastia de resgate

Referências Bibliográficas

Dupré, G., & Heidenreich, D. (2016). Brachycephalic Syndrome. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, 46(4), 697-707. https://doi.org/10.1016/j.cvsm.2016.02.002 (PMID: 27150990)

Packer, R. M. A., Hendricks, A., Tivers, M. S., & Burn, C. C. (2015). Impact of Facial Conformation on Canine Health: Brachycephalic Obstructive Airway Syndrome. PLoS ONE, 10(10), e0137496. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0137496 (PMID: 26017400)